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Eu adoro ouvir histórias, principalmente as verídicas. Às vezes, depois das refeições, após um gancho na conversa ou em um dia de viagem, meu pai costuma contar histórias de suas peripécias. Ele mesmo diz que se tivesse um filho endiabrado como ele foi, viveria de castigo! Arte a rodo! Algumas eu já conheço e mesmo assim adoro ouvir, não importa quantas vezes.

Ano passado, ele foi até sua cidade natal, participar de um evento em que seu avô (meu bisavô que não conheci) estava sendo homenageado. Ganhou uma praça com o seu nome, baita orgulho né! E claro que também foi um gancho para contar algo! Obaa.

E aí ele começa. Eu aqui vou contar do meu jeitinho…

Todas as crianças pequenas têm suas próprias perspectivas do mundo. Com os olhinhos a poucos palmos acima do chão, observam a vida dali mesmo de baixo, com uma constante inclinação do pescocinho e uma enorme sensação de que tudo a sua volta é muito maior do que realmente é, apesar de o ego ter metros e metros de altura e largura!… Coisa de criança!

Conta ele que meu bisavô era um cara “trabalhador, italiano austero, atencioso com a família, muito carismático e carinhoso a seu modo”. Falava pouco, não era muito íntimo de crianças, talvez porque não soubesse bem o que dizer ou fazer, afinal, naquela época, as mães acabavam sendo as educadoras e os pais… temidos. Não pelas atitudes (talvez em alguns casos sim), mas pelo distanciamento natural.

Para uma criança de sete anos, a falta de assunto pode ser constrangedor e para aquele garotinho ativo, inteligente e de personalidade, deveria ser bem mais que isso. Como lidar com um avô “gigante”, calado, sem muito jeito para o universo infantil e com poucas distrações para passar o tempo? Que tal algumas giradinhas naquela cadeira bonita que fica ali na escrivaninha para distrair um pouco?

Quando a cadeira não era o foco ou já havia vencido sua cota de interesse por ela, e ele precisava ficar na casa do avô, pensava: “vou fazer o que aqui hoje?” Rapazinho esperto esperava os pais saírem rumo ao domingo no cinema, aguardava virarem a esquina e vupt, saia correndo! Fugia sem a intenção de deixar rastros, tentativa frustrada… lá ia o gigante ao seu encalço: “Luizinhooo, volta aquiiiii!!” e o garotinho “sartava”de banda. Frustrava o cinema do casal ou ficava saçaricando na frente do cinema, sentado na calçada ou no sofá da entrada com o primo, parceiro de arte.

Ele tem um repertório enorme de histórias, uma coleção construída, imagino, a custo de muita bronca, castigo, beliscão e uma mãe com os cabelos em pé! Hehehe. Mas, o avô, muito atento, não deixou passar em branco sua predileção pela bonita cadeira. Aos 14 anos, já morando em outra cidade, após a visita de domingo à sua casa – do avô -, durante as despedidas, viu-o chamar o pai e dizer: “leva a cadeira, ela é do Luizinho”. E essa é uma das boas lembranças que meu pai tem de seu avô, que um dia, de tão gigante, ganhou uma praça com o seu nome e o menino, mais uma história para contar. A cadeira está em casa até hoje e é mantida com muito carinho. Euzinha… torcendo para ouvir mais uma dúzia de pequenos e divertidos causos, para, espero, contar com mais detalhes por aqui.

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