brigadeiro-nosso

As vezes saio sozinha, sem saber muito bem o que fazer e aonde ir. Invariavelmente o shopping é meu pronto socorro do tempo ocioso. Mais seguro que andar pelas ruas sem rumo, pode ser mesmo uma ótima saída para ver pessoas. Só tem um defeito, não é ao ar livre. Bom, nada nessa vida é desprovido de defeito e melhor do que sofrer pelo que não se tem, é valorizar o lindo pássaro que está ali, em suas mãos.

Mesmo que o shopping não seja exatamente o lugar mais interessante e autêntico do mundo para se divertir, ele tem sua cota de boa ação. Guardião de uma ou várias livrarias, resgata seus pecados mundanos ao abrigar grutas de conhecimento. Adoro caminhar pelas livrarias lentamente, olhando para todos os lados, varrendo todas as prateleiras em busca de nada, mas na certeza de que vou me surpreender a qualquer momento com algo que eu precisava profundamente e nem sabia.

Não cozinho, mas aprender é sempre um desafio. Livros são professores silenciosos, mas muito prestativos. Numa dessas minhas andanças, a procura de um DVD e uma agenda, topei com um livrinho tímido, mas muito simpático. De capa cor de rosa e um enorme brigadeiro desenhado que me conquistou com uma única piscadela.

Brigadeiro é o tipo de coisa que se aprende fazer ainda criança. Talvez porque mães, avós e tias fiquem meio esgotadas pelos pedidos insistentes de crianças decididas e achem mais prático ensinar, do que colar o avental no fogão e arregaçar as mangas. Nada contra passar a bola, afinal todo mundo precisa de um descanso, mas avozinhas, mamães e titias dedicadas, o brigadeiro de vocês será sempre o melhor do mundo!

O livro me encantou, pensei um pouco e decidi. Levei. Estava super animada para ler e testar uma receita interessante de brigadeiro alternativo. Comprei um ingresso para o cinema e sentei na praça de alimentação para matar tempo. Escolhi o que comer e abri o livro. Li in-tei-ri-nho, sentada ali mesmo. Um livrinho leve, despretensioso e divertido. Fiquei com água na boca e nos olhos de rir. Nem lembrei de que estava em público. Salvo o mico, a tarde foi ótima! Esqueci-me do título do filme que assisti nesse dia, mas do livro, nunca mais!

O triste dessa estória é que o livro foi levado tempos depois por alguém que nunca mais se deu ao trabalho de devolver, apesar de meus esforços e pedidos.  O trágico é que descobri minha intolerância a lactose e o brigadeiro foi banido da minha lista de comidinhas preferidas. Mas, o melhor de tudo é que o brigadeiro é nosso, brasileiríssimo! E vai continuar sendo a preferência nacional, regional e familiar em domingos chuvosos, noite entre amigas confidentes e remédio infalível para a TPM.

Deu água na boca? Vai para a cozinha, junta tudo, uma apitada de alegria, duas de amor, chama a galera e divide o brigadeiro na panela! Sem culpa, apenas sentindo como é bom um simples momento compartilhado.  Pense bem, quanto mais gente dividindo esse prazer com você, mais diversão, mais curtição e menos calorias para todo mundo!

Toda receita feita com amor alimenta muito mais, porque faz bem para o corpo e para a alma.

Dica: “O livro do brigadeiro”, de Juliana Motter, editora Panda Books.

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